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no virar de cada rua
um acordo consumido pelo tempo
o rosto é impregnado
pelo entendimento sem disfarces
pelo grande ruído que nada tem.
Se pudesse ver o embaraço
das coisas
observaria a mais dura e pura pedra
o par de todos os espaços
desaparecendo em tudo que se inicia.
Contei tudo
à todo horizonte.
e nada fizemos
a não ser ver a fuga
daquele que nos entrega
toda a insistência em partir.

Comentários

  1. Pesado hein?!
    Gostei do lance do "grande ruído que nada tem",
    bem verdade... silêncio no meio do barulho: ê vida urbana, cheia das loucuras sem sentido.

    Bom, sou meio lerdo com posts mas tem um novo lá!
    Valeu.

    ResponderExcluir
  2. me veio a imagem do nosso grupo do ccj
    não sei por quê!
    mas veio



    diz ao iniciado que estou nele e não abro!
    voçês são demais
    e na medida certa pra minha vida!

    ResponderExcluir
  3. Esse tipo de poesia é um barato...
    vamos brincar de nome: o poema-armadilha.

    Os dois comentários feitos antes de mim
    se prestaram a sua finalidade safada.
    Um sente o peso, outro lhe lembra coisas.

    Eu veria coisas tão diferentes...
    mas por isso mesmo: cada eu é cada eu.

    Resumimiria isso pelo primeiro verso,
    "no virar de cada rua", e o que ele aponta.

    Pequenos deslocamentos - as substituições
    'esquina' por 'rua', 'ao' por 'no' -
    fazem as expressões comuns comunicarem
    uma certa incomunicabilidade:
    não a expressão coletiva, a palavra individual.

    Ao revirar frases simples, chega ao avesso
    de alguma expressão, o esqueleto da língua.

    Talvez seja o motivo de um sentir o peso
    - é o próprio peso que ele acaba de sentir -
    e o outro lhe lembrar coisas, assim refém
    de suas próprias memórias...

    Poema-armadilha: de cair na forquilha de si.

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...

foi aí por aí....

"o povo não se mexia mais, apavorado, com medo, medo de fechar as portas, com medo de ficar na rua, com medo de falar e de ficar calado, com medo de existir."

(guimarães rosa)