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Hei-de entrar nas casas
também

Como o silêncio

A ver os retratos dos mortos
nas paredes
um bombeiro um menino

A ver os monogramas bordados nos lençóis

os vestidos virados
os vestidos tingidos
os diplomas de honra
as redomas

E a caderneta dos Socorros Mútuos
e Fúnebres

em atraso

Hei-de entrar nas casas
também
como o luar

A ver as faltas de roupa interior
e de cama

os rostos preocupados
com os avisos da luz e da água

com a máquina de petróleo apagada
jornais nas paredes
e um pássaro na varanda
a cantar
ao lado duma flor.


http://www.antonioreis.blogspot.com/

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filha da terra

junho de 2017 alto da montanha, vento frio e fogo. estrelas no céu irmãs. mulheres em círculo de enorme gratidão. ervas,  rezos e cantos levantados à mãe terra. Silêncio e olhos fechados para receber o presente da presença. Uma mãe forte que acolhe conversa com as quatro direções e ensina como tocar a terra com respeito e amor. tambor, faísca de fogo, água plantas sagradas em honra e união seguimos mulheres. cachoeira do Caldeirão, minas gerais foto katty cuel
entre o que tenho nas mãos e os naufrágios que me serve o amanhã a única espera é de aferrar-se ao tempo antes que tudo fosse importante.