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Hei-de entrar nas casas
também

Como o silêncio

A ver os retratos dos mortos
nas paredes
um bombeiro um menino

A ver os monogramas bordados nos lençóis

os vestidos virados
os vestidos tingidos
os diplomas de honra
as redomas

E a caderneta dos Socorros Mútuos
e Fúnebres

em atraso

Hei-de entrar nas casas
também
como o luar

A ver as faltas de roupa interior
e de cama

os rostos preocupados
com os avisos da luz e da água

com a máquina de petróleo apagada
jornais nas paredes
e um pássaro na varanda
a cantar
ao lado duma flor.


http://www.antonioreis.blogspot.com/

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...

foi aí por aí....

"o povo não se mexia mais, apavorado, com medo, medo de fechar as portas, com medo de ficar na rua, com medo de falar e de ficar calado, com medo de existir."

(guimarães rosa)