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entre planta e homem
consumido é esse raio
lugar de gente
pano grosso
antes da casa virar nascente
um milagre
em roda pássaros
no chão
na terra
no alto

sou em tudo
intervalo desse tempo nos olhos

Comentários

  1. A produção continua intensa, hein, Si?

    Nesse último seu, vejo algo diferente. Primeiro, a quebra dos versos, vários deles bem curtos. Sintaticamente, a linguagem continua retorcida em alguns momentos, mas agora sinto uma grandeza nisso, uma sacralidade meio nervosa no tom, e não sei porque ainda me vem à memória poetas alemães, mais especificamente Hördelin, o qual nunca li por completo - estranho, não? Creio que seja o respeito que os versos impõem, como esse, que adorei, "consumido é esse raio".

    Gostei bastante da safra que vejo agora - parabéns! Um verso mais limpo, no sentido de ir direto ao ponto, sem perder todo o mistério e leveza anterior, já um estilo próprio seu.

    Aquele abraço,
    Paulo.

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de criança e chuva

filha da terra

junho de 2017

alto da montanha, vento frio e fogo. estrelas no céu irmãs.
mulheres em círculo de enorme gratidão.
ervas,  rezos e cantos levantados à mãe terra.
Silêncio e olhos fechados para receber o presente da presença.
Uma mãe forte que acolhe conversa com as quatro direções e ensina como tocar a terra com respeito e amor.
tambor, faísca de fogo, água
plantas sagradas
em honra e união seguimos
mulheres.

cachoeira do Caldeirão, minas gerais
foto katty cuel


Peixe grande come peixe pequeno, Brueghel



após a orientação dos  remadores e dos pássaros