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Irei em todas as mãos e sonhos conhecer a fuga desse silêncio

poesia de António Reis

Existo de casas que apanho do chão. É uma tábua que prego e uma candeia que acendo. É uma talha que lavo, uma azeitona que corto. Um vento que estendo. É um baldio que escavo. Uma gadanha que afio. Uma encosta que subo e um tempero que lembro. É uma trança que solto. Um escano que fecho, que não vendo, e uma roca que fio
Hei-de entrar nas casas também Como o silêncio A ver os retratos dos mortos nas paredes um bombeiro um menino A ver os monogramas bordados nos lençóis os vestidos virados os vestidos tingidos os diplomas de honra as redomas E a caderneta dos Socorros Mútuos e Fúnebres em atraso Hei-de entrar nas casas também como o luar A ver as faltas de roupa interior e de cama os rostos preocupados com os avisos da luz e da água com a máquina de petróleo apagada jornais nas paredes e um pássaro na varanda a cantar ao lado duma flor. http://www.antonioreis.blogspot.com/
encomendo a oferta atravessando a mulher as sete pedras e a vibração de um pêndulo outra terra me compõe em suas leis preparo esse dia ar que quero o silêncio anda  pulsa  a  fala recolhe o rio e desfaz a forma fenômeno absoluto amadurece

toda criação

eu mãe Ibirarema
estamos arrancados busco inscrições do homem na colheita estreita terra vestida de chão Dentro do meio tempo do raio parado na porta nasce a coroa do inocente corpo fecundo viço no rosto íntimo nos deixa o instinto alma povoada